sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

[Inseto] Gênero: Ceroplaste


Reino: Animalia
Filo: Artropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hemiptera
Família: Coccidae
Gênero: Ceroplaste

O gênero ceroplaste compreende as cochonilhas cerosas, que se diferenciam na família Coccidade por apresentar espessa carapaça cerosa que recobre o corpo das fêmeas adultas. Os machos são raros e as fêmeas adultas é o que geralmente vemos habitando os vegetais, as características da fêmea são as bases para as chaves de identificação.
A carapaça cerosa que envolve a parte dorsal das fêmeas em muitos casos da um aspecto de ovo e confunde os leigos que não acreditam se tratar de um inseto. Cochonilhas são hemípteros muito comuns na vegetação, sendo considerados pragas de jardim. A literatura relata que 36% dos tipos de cochonilhas encontradas são cerosas (Peronti et al, 2008). Esta carapaça cerosa recobre a parte dorsal do corpo, e escondem as estruturas títpicas de um inseto que são visíveis apenas na superfície ventral que fica praticamente fixa no hospedeiro. Destacando um indivíduo e observando-o no seu ponto de fixação podemos ver, com a ajuda de uma lupa todos os detalhes de seus aparatos, patas, antenas e cauda.

A carapaça é dividida em placas, de 7 a 9 placas e cada placa contém um núcleo, que são os pontos marrons que vemos a olho nú.A cera varia na cor, consistência e espessura conforme a espécie.
 A visão microscópica da superfície é bem rica, com numerosos poros e setas. O tipo dos poros da superfície dorsal são importantes características para identificação, observados ao microscópio diferem quanto ao número de lócus, formato, posição e função, e as setas são de diversos formatos. Neste post trago a ilustração que esta no trabalho ja citado de Ana Lúcia Benfatti Gonzalez Peronti, Carlos Roberto Sousa-Silva1 & Maria Cristina Granara de Willink. Uma Revisão completíssima das espécies de Ceroplastinae Atkinson (Hemiptera, Coccoidea, Coccidae) do Estado de São Paulo; com chave para identificação e muitas fotos. As fotos à baixo foram retiradas de mudas em Regente Feijó-SP em um pomar familiar. Nesta região, e principalmente nesta cultura estes ataques são muito comuns.

Jabuticabeira com cochonilha cerosa - comuns em Regente Feijó - SP
aparência de ovos brancos
nas partes lenhosas dos ramos, nunca nas folhas
Ceroplaste com 07 placas, detalhe dos núcleos


Superfície ventral: patas em branco

Brasil Revista Brasileira de Entomologia 52(2): 139-181, junho 2008
Ceroplastinae é uma sub-família de Coccidae que compreende as cochonilhas cerosas. Ainda citando o trabalho de Peronti, et al 2008, em ceroplastinae contamos com o registro de 41 espécies , 40 de Ceroplastes e 1 de Vinsonia, aquelas com aspecto de estrelas. a maioria é mencionada no estado de São Paulo (29) sendo 16 exlusivas de São Paulo. (Ver Ben-Dov 1993)*

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

[Inseto] Espécie: Vinsonia stellifera - Cochonilha

Reino: Animalia
Filo: Artropoda
Classe: Insecta
Ordem: Hemiptera
Família: Coccidae
Gênero: Vinsonia
Espécie: Vinsonia stellifera

Estrelas no jardim! Um olhar curioso na parte de baixo das folhas de plantas de um jardim podem revelar a graciosidade destes insetos. Vinsonia stellifera, Cochonilhas com formato de estrela. São constantemente relatadas como hospedando o gênero de plantas ornamentais Schefflera, como neste caso, em uma Schefflera arborícola na região metropolitana da cidade do Recife.
Estas cochonilhas são consideradas uma ameaça em potencial pois podem causar danos econômicos em culturas de citros, manga e uma grande variedade de plantas comestíveis e ornamentais.
As fêmeas adultas e nas fases imaturas são cobertas com uma cera que vai do transparente ao branco.
o corpo tem forma de estrela com o centro convexo. O tamanho da fêmea adulta varia de 3 a 5 mm contando com os raios. A cor do inseto vivo vai de rosa a púrpura-vermelho.


Cochonilhas em forma de estrela
Stellate scale
Estrelas na parte abaxial
Schefflera arborícola, ocorrência na parte abaxial das folhas
 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

[Fungos] Gênero: Trogia

Reino: Fungi
Filo: Basidiomycota
Classe: Agaricomycetes
Ordem: Agaricales
Família: Marasmiaceae
Gênero: Trogia

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Este gênero foi descrito pela primeira vez em 1835 por Elias Magnus Fries que também redefiniu a espécie Trogia montagnei, uma espécie que tinha sido descrita 11 anos antes pelo famoso micologista Camille Montagne como Cantharellus aplorutis, que é provavelmente a espécie ilustrada nesta postagem.

Como um gênero de fungos decompositores de madeira, as espécies de Trogia têm enzimas que quebram a lignina, polissacarídeo complexo. A espécie Trogia buccinalis foi  investigada pela sua capacidade de utilizar estas enzimas para quebrar moléculas poluentes como o antraceno, pentaclorofenol e cloreto de polivinilo agindo assim como um biorremediador.

Certa vez na China uma espécie de Trogia, mais precisamente a Trogia venenata, foi acusada de causar a morte de 400 pessoas na província de Yunnan. Aparecendo após chuvas locais, os cogumelos ainda não relatados como venenosos contêm uma variedade de aminoácidos, algum deles até então desconhecidos da ciência que parecem ser cardiotóxicos. O gênero Trogia não foi concebido para conter espécies venenosas. Estudos sugeriram que o elemento bário da água contaminada poderia aumentar a toxicidade do cogumelo, mas nada ainda comprovado.

Os indivíduos aqui fotografados foram encontrados na "trilha do bambuzal", domínio de floresta atlântica, área de terras baixas, uma APP repleta de espécies vegetais exóticas, no campus da UFRPE em Recife Pernambuco. Nesta região, esta espécie é bem comum, estando quase sempre presente quando temos cogumelos na serra pilheira. Possui um roxo vibrante que varia provavelmente com a qualidade de sítio e que se esvai com o passar do tempo. Quando estão fruticados parecem mais como cachos de flores na serra pilheira, aspecto conferido pela cor, numerosidade e pelo chapéus partidos no sentido radial.

Provável Trogia cantharelloides. ou Trogia volvatus. Sinônimos: Pleurotus cantharelloides, Panus cantharelloides, Pocillaria cantharelloides, Lentinus scyphoides

Já empalidecidos pelo tempo, gênero Trogia

representante nordestino de Trogia

Trogia cantharelloides em Recife - PE - BRASIL


´chapéu muitas vezes partido, lamelas delicadas roxas


detalhe da inserção das lamelas


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

[Fungos] Gênero: Scutellinia

Reino: Fungi
Filo: Ascomycota
Classe: Pezizomycetes
Ordem: Pezizales
Família: Pyronemataceae
Gênero: Scutellinia

Fungi, Ascomycota, Pezizomycotina, Pezizomycetes, Pezizales, Pyronemataceae, Scutellini

Pequenas bolas laranjadas com cílios marrons. Conhecido como "eyelash cup" ou copo com cílios, apresenta um laranja bem escarlate, quase vermelho que vai se esvaecendo com o passar do tempo. Não possui haste, reluzindo sua cor em pequenos circulos laranja solitários ou em colônias, decomposndo a madeira molhada e nos ambientes mais escuros da floresta. Apenas com um olhar investigativo é percebível os tricomas em seu perímetro.

Os indivíduos de Scutellinia fotografados e apresentados à baixo foram encontrados em floresta ombrófila de terras baixas, na trilha do bambuzal da UFRPE em Recife Pernambuco. Neste local, uma espécie que se parece bastante com esta é a Cookeina tricholoma, que é da mesma ordem, Pezizales e possui aparentemente as mesmas preferências, o mesmo padrão de cor e tricomas pelo corpo, que deste sim se parece com uma taça.
Scutellinia scutellata é a espécie mais difundida do gênero Scutellinia relatada em todos os continentes do mundo, sendo necessária uma análise à nível de esporos para assegurar ser mesmo a espécie aqui exposta.

"cup fungus", "Eyelash cup", "Molly eye-winker"
Sinônimos prováveis: Peziza scutellata, Patella scutellata

espécie provável Scutellinia scutellata

domingo, 4 de dezembro de 2016

[Fungos] Gênero: Ophiocordyceps

Reino: Fungi
Filo: Ascomycota
Sub-Filo: Pezizomycotina
Classe: Sordariomycetes
Ordem: Hypocreales
Família: Ophiocordycipitaceae
Gênero: Ophiocordyceps

Fungi, Ascomycota, Pezizomycotina, Sordariomycetes, Hypocreomycetidae, Hypocreales, Ophiocordycipitaceae, Ophiocordyceps

Um olhar desatento ou uma mente inocente jamais imaginaria a essência deste cogumelo. Em várias coletas me deparei com estes indivíduos e até os fotografei, sem perceber que eles estavam sobre um hospedeiro bem particular... por muito tempo tentei identificar o gênero destes cogumelos sem sucesso, apenas após conhecer a ecologia da família Ophiocordycipitaceae percebi a realidade... Ophiocordycipitaceae é uma família de fungos parasitas. O gênero Ophiocordyceps foi descrito cientificamente pela primeira vez em 1930 por Tom  Petch, O gênero contém cerca de 140 espécies parasitas de insetos.
O indivíduo das fotos foi encontrado em 2014 no campus da UFRPE em Recife, uma área de APP que beira a BR 101, num período seco, sem muitos cogumelos, no mês de julho, após o período chuvoso de grande frutificação, aparecendo em uma época de vacas magras, quando a maior parte da comunidade já frutificou à exaustão. Espécie provável Ophiocordyceps sobolífera.

Sinônimos prováveis: Clavaria sobolifera, Torrubia sobolifera, Cordyceps sobolifera, Beauveria sobolifera


Ophiocordyceps em serra-pilheira de floresta atlântica

10-07-2014 - Recife PE - Brasil



hospedeiro não identificado

domingo, 9 de outubro de 2016

[Erva] Espécie: Voyria caerulea

Reino: Plantae
Ordem: Gentianales
Família: Gentianaceae
Gênero:Voyria
Espécie: Voyria caerulea

Ervas mico-heterótrofas, são plantas que não contêm clorofila; vive através de parasitismo sobre fungos, e não realiza fotossíntese.
Suas raízes são longas para realizar o contato com os fungos micorrízicos. As hastes são pálidas com folhagem reduzida. Como todos os mico-heterotróficos vivem em condições escuras, na serra-pilheira das partes com o dossel mais fechado são os locais onde podemos encontrá-las, já que não precisam do sol. Podemos encontras espécies florescendo no nordeste brasileiro de março a setembro.

A Voyria caerulea se diferencia em seu gênero pela inflorescência umbeliforme, brácteas e bractéolas conspícuas, flores de corola salveforme, dispostas logo acima do solo.
Ocorre na Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Venezuela e Brasil, onde está registrada nas Florestas
Amazônica e Atlântica, nos estados da Paraíba, Pernambuco e Bahia. Distribuída nas Mata Atlântica e Amazônica.

Leia mais no artigo publicado na Revista Brasileira de Biociências: "Sinopse das ervas aclorofiladas em estados do Nordeste do Brasil" por Aline Melo e Marccus Alves.




Voyria caerulea, flores de cor lilás
Flores dispostas logo acima do solo
Flores reunidas em inflorescência, brácteas e bractéolas conspícuas

Planta que possue associação com fungos micorrízicos

[Fungos] Espécie: Caripia montagnei

Reino: Fungi
Filo: Basidiomycota
Classe: Agaricomycetes
Ordem: Agaricales
Família: Marasmiaceae
Gênero: Caripia
Espécie: Caripia montagnei

Indivíduos coletado no campus da UFPB, Universidade Federal da Paraíba orgulho da "segunda capital mais verde do mundo" João Pessoa,  com estimativa de mais de 7 m² de floresta para cada habitante. Diz-se que fica sob um relevo de baixos  planaltos  costeiros, entre  os  vales  dos  rios  Jaguaribe e  o  subafluente  do  rio  Timbó  e  riacho  Timbó, em uma  situação  tabular. O campus fica em meios à uma reserva de Mata Atlântica.

Caripia é um gênero monotípico, e nome Caripia se refere ao rio Caripi, no estado do Amapá, norte Brasileiro, e montagnei é referente à Camille Montagne, primeiro coletor da espécie nos anos de 1800.

Cogumelo tipo cálice com no máximoo 25 mm de altura e diâmetro da tampa de até 6 mm.
A cor é esbranquiçado a creme, e a textura da superfície é inicialmente lisa, enrugando-se posteriormente.
A estipe fina, é lisa e mais escura, ao castanho.
O (tecido de suporte de esporos) hymenium está na superfície exterior da tampa, em vez de o interior, como é usual para fungos em forma de taça.

Os corpos de frutificação de Caripi montagnei contêm polissacáridos que vêm sendo testetados por apresentarem propriedades anti-inflamatórias.
Também é possível a extração do composto caripyrin (trans-5-(3-methyloxiranyl)pyridincarboxylic acid methyl ester); que inibe a germinação de conídios e a formação de apressórios de Magnaporthe oryzae, um patógeno eficaz, sendo um dos fungos da brusone do arroz, doença de extrema relevância para a cultura do arroz. É portanto uma promessa para o controle biológico.

parachute / fungo pod pára-quedas




"pod parachute"

Caripia montagnei
agosto 2016 - Paraíba-BR








Caripia montgnei decompositando um cupinzeiro.
Ninho de nasutitermes colonizado